quarta-feira, 28 de março de 2012

Gelo derretido entre 2003 e 2010 poderia inundar os EUA, diz estudo

Planeta perdeu em 8 anos o equivalente a 4.100 km³ de massa de gelo.
Aquecimento global é responsável, afirma artigo publicado na 'Science'.

Em oito anos, o planeta perdeu o equivalente a 4.100 km³ de gelo -- provenientes das calotas, das geleiras, da Groenlândia e da Antártida -- devido ao derretimento, afirma pesquisa que será publicada nesta quinta-feira (9) na edição online da revista “Science”. O dado equivale a 1,2 centímetro de elevação nos mares.

Na prática, essa massa derretida é suficiente para encobrir completamente os Estados Unidos em 1,5 metro de água. O volume corresponde a 82 mil vezes a quantidade de água existente no Lago Paranoá, em Brasília – que tem 0,05 km³.

De acordo com o estudo realizado pela Universidade Columbia, com dados disponibilizados pelo programa Grace (satélites de observação da Terra operados em parceria da Nasa com a Alemanha), de janeiro de 2003 a dezembro de 2010 foram derretidas anualmente 150 bilhões de toneladas de gelo – sem incluir Groelândia e Antártida. Nestas duas regiões, a perda anual de gelo equivale a 385 bilhões de toneladas/ano.

“A Terra está perdendo uma incrível quantidade de gelo para os oceanos anualmente e esses novos resultados nos ajudarão a entender questões importantes sobre a elevação do mar e respostas das regiões frias do planeta às mudanças climáticas globais”, disse John Wahr, pesquisador da Universidade Columbia, em comunicado enviado pela instituição.



Aquecimento global
Os cientistas participantes da pesquisa concordam que as atividades humanas, como o envio de grandes quantidades de gases de efeito estufa à atmosfera, estão aquecendo o planeta, fenômeno que é ocorre de forma mais acentuada nas áreas frias.

Porém, um dado inesperado aponta que, apesar da quantidade surpreendente de gelo derretido, o número é inferior ao apontado em estudos anteriores.

Os satélites do Grace constataram, por exemplo, que o degelo nas altas montanhas da Ásia, como o Himalaia, foi inferior à previsão de 50 bilhões de toneladas de massa de gelo por ano (o número constatado é de quatro bilhões de toneladas ao ano).

Preocupação
Os cientistas querem agora encontrar um padrão para entender melhor o processo de aumento do nível do mar.

“Uma grande questão é entender como a ascensão dos oceanos vão ser modificada neste século”, disse Tad Pfeffer, também participante da pesquisa.


Vírus contra a dengue?


Capaz de diminuir o número de partículas virais da dengue em células de mosquito, vírus descoberto por pesquisadores de Estados Unidos e Brasil pode ajudar a entender como funciona o ciclo evolutivo da doença.

A descoberta aconteceu por acaso. Na tentativa de saber mais sobre a dengue, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) enviaram uma amostra contendo o vírus causador da dengue tipo 2 (DEN-2) para a Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, onde o biólogo brasileiro Ricardo Vancini faz seu PhD. Após análise em microscopia eletrônica, a atenção da equipe se voltou para a presença de um vírus nunca antes descrito e que pode elucidar questões importantes sobre o ciclo evolutivo da doença.

Como o controle do mosquito transmissor da dengue tem se tornado cada vez mais difícil em função de sua resistência a diversos inseticidas, a descoberta de um vírus que elimina a dengue ainda dentro do vetor pode se tornar uma grande aliada da ciência.

No entanto, muitas questões ainda rondam a descoberta, pois não se sabe se o ESV pode ser responsável por algum dos sintomas atribuídos ao vírus da dengue durante a infecção. Por isso, é importante entender como o ESV e o vírus da dengue interagem.

Segundo Ferreira, a melhor compreensão dessa interação pode ajudar também nos estudos da febre amarela, já que os mosquitos A. aegypti e A. albopictus também são vetores do vírus causador da doença.

Por outro lado, o estudo gerou preocupações e perguntas cujas respostas já estão sendo pesquisadas. Após encontrar o Espírito Santo Vírus, os cientistas questionaram a possível presença de outros vírus em amostras que, teoricamente, só continham o da dengue. “Esse tipo de coinfecção pode dificultar o estudo de proteínas para a criação de vacinas contra a doença, além de prejudicar a interpretação do diagnóstico”, explica Ferreira.

Mariana Rocha
Ciência Hoje On-line

Beber álcool com moderação reduz risco de morte de homens pós-infarto

Beber álcool com moderação reduz risco de morte de homens pós-infarto
Probabilidade diminui de 14% a 42% comparada a de homens abstêmios.
Moderação significa tomar duas doses de bebida alcoólica por dia.

Homens que bebem álcool moderadamente e que sobreviveram a um primeiro infarto correm menos risco de morrer do que os que passaram pelo mesmo problema mas são abstêmios. É o que dizem as últimas descobertas de um estudo publicado nesta quarta-feira (28) na versão online do "European Heart Journal"

A pesquisa mostra que, depois de ter sobrevivido a um primeiro ataque cardíaco, homens que bebem cerca duas doses de bebidas alcoólicas por dia durante um longo período de tempo têm um risco 14% menor de morte por qualquer causa e um risco 42% menor de morrer por doença cardiovascular do que os que não-bebedores.

A coordenadora do estudo, Jennifer Pai, professora assistente do Departamento de Medicina do Hospital Brigham and Women e da Escola de Medicina Harvard afirmou em material de divulgação: "Nossos resultados demonstram claramente que a longo prazo o consumo moderado de álcool entre os homens que sobreviveram a um ataque cardíaco foi associado com um risco reduzido de mortalidade total e cardiovascular".

"Descobrimos também que entre os homens que consumiam quantidades moderadas de álcool antes de um ataque cardíaco, aqueles que continuaram a consumir álcool "com moderação" depois também tiveram melhor prognóstico a longo prazo", explicou Pai.

Embora já se saiba que o consumo moderado de álcool está associado a um menor risco de doença cardíaca e de morte na população saudável, até agora não estava claro se ele também poderia estar relacionado a menores taxas de morte entre as pessoas que adquiriram uma doença cardíaca. Não havia nenhum estudo prospectivo que tivesse medido o consumo de álcool, tanto antes como após um ataque cardíaco, com longo prazo de seguimento.

A pesquisadora e seus colegas analisaram um subconjunto de 1.818 homens que haviam sobrevivido a um primeiro ataque cardíaco entre 1986 e 2006. Durante este período, 468 homens morreram.

No período de análise, os pesquisadores os questionaram sobre o seu consumo de álcool e dieta, durante quatro anos, além de avaliarem hábitos de estilo de vida, como o tabagismo e o índice de massa corpórea (IMC) a cada dois anos.

Tipo de bebida não altera resultado
Os homens relataram sua ingestão média de cerveja, vinho branco e tinto, e as bebidas destiladas que costumavam consumir. Uma parcela padrão foi especificada como um copo (125 ml) de vinho (que contém 11g de etanol - o álcool na bebida), uma garrafa ou lata de cerveja (12,8 g de etanol) e uma dose de bebida destilada (14g de etanol ).

Os homens foram divididos em quatro grupos com base na quantidade que bebiam: 0g, 0,1-9,9g, 10-29,9g, e 30g ou mais por dia. Aqueles que bebiam entre 10 e 29,9g de álcool por dia - o equivalente a cerca de dois drinques - foram classificados como bebedores "moderados".

Após o ajuste de diversos fatores que poderiam afetar os resultados, tais como tabagismo, IMC, idade e tratamentos médicos, os pesquisadores descobriram que os homens que consumiram aproximadamente duas bebidas alcoólicas por dia depois de seu primeiro ataque cardíaco tiveram um risco menor de morte por qualquer causa do que os não bebedores. O tipo de bebida não afetou os resultados.

Quando observaram os níveis de consumo de álcool antes e depois do ataque cardíaco, eles descobriram que a maioria dos homens não mudou seu hábito de beber, e também que aqueles que bebiam antes e depois tenderam a ter um menor risco de morte do que os não-bebedores. No entanto, devido aos números menores nesta análise, os resultados não foram estatisticamente significativos.

"Os efeitos adversos à saúde pelo consumo excessivo são bem conhecidos, e incluem a pressão arterial elevada, a função cardíaca reduzida e a redução da capacidade de dissolver os coágulos sanguíneos. Além disso, outros estudos têm mostrado que os benefícios de beber são totalmente eliminados após episódios de compulsão", disse a pesquisadora.

Nova cor, mais benefícios


Pesquisadores da USP desenvolvem tomate roxo com propriedades antioxidantes reforçadas, que podem ajudar a prevenir doenças cardiovasculares e o câncer. Mas, para torná-lo acessível aos consumidores, serão necessários investimentos privados.


Quem não quer ser mais saudável comendo o que gosta? Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conseguiram criar um tomate – o fruto mais popular do mundo – ainda mais nutritivo do que os já disponíveis no mercado, só que roxo.

Desenvolvido a partir do cruzamento de diferentes espécies da planta e de intensa exposição à luz, o novo tomate combina as propriedades da antocianina – pigmento que confere o tom arroxeado a uvas e ameixas e é um poderoso antioxidante – e do licopeno – responsável pela cor vermelha do tomate e também rico em antioxidante.

Apesar de ainda estar longe das prateleiras, a novidade ajuda a consolidar uma técnica de cruzamento que é diferente da controversa transgenia, usada no desenvolvimento de outros alimentos – por exemplo, a soja e o milho –, no Brasil e em vários outros países.

O estudo, desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) envolveu três espécies diferentes de tomate cultivadas no campo de pesquisa da própria instituição: duas selvagens (não comestíveis) e uma mutante. Esta última, além de ser supersensível à luz, tem em seu caule uma quantidade grande de antocianina, mas que não se reproduz naturalmente no fruto.

Para transferir essa característica ao fruto, a equipe liderada pelo agrônomo Lázaro Eustáquio Pereira Peres teve que cruzar repetidas vezes a espécie mutante com uma das espécies selvagens de tomate – que conta com uma pequena quantidade de antocianina no fruto.

Por meio da exposição das duas à luminosidade, os pesquisadores conseguiram provocar a biossíntese de enzimas produtoras do antioxidante na espécie mutante e, dos cruzamentos, obter uma nova planta – esta com antocianina no fruto.

Na etapa seguinte, outro cruzamento foi feito para homogeneizar a substância nas células do novo tomate. O processo foi o mesmo do cruzamento anterior, porém, dessa vez, a planta já modificada foi cruzada com a outra espécie selvagem, que contém uma quantidade maior que a normal de antocianina no caule.

Segundo Peres, a antocianina e o licopeno fazem um trabalho complementar, embora a biossíntese dos dois seja completamente independente. “Após sintetizados, esses dois compostos acumulam-se em dois lugares diferentes da célula, a antocianina no vacúolo e o licopeno no plastídio.”